Amizade

Eu sou corinthiano e vou usar o Corinthians para falar de amizade. (Mas antes que meus filhos e amigos me acusem de corinthiano meia boca, quero dizer que, embora eu só acompanhe meu time em decisões, meu sentimento é de ser corinthiano boca inteira (sem trocadilhos!). Por isso me emociono tanto com suas vitórias e derrotas. Mais do que com os jogos da seleção brasileira. Meu pai era santista, meu irmão mais velho era são paulino, assim como meus tios. Mas eu nasci corinthiano. Eu me orgulho disso e gosto de cultivar minhas emoções corinthianas.)

Na noite da vitória da Libertadores, fui dormir com a imagem da TV que mostrava o Tite indo comemorar com a torcida quando um repórter perguntou qual era o segredo da campanha vitoriosa. Olhando para trás, buscando o olho do jornalista para ter certeza de que ele não perderia nada da resposta, Tite disse: “Disciplina, administração e ... amizade. Juntar isso aqui com isso aqui - apontando para o coração e para a cabeça - Esse é o segredo.”

Fiquei pensando como ele teria conseguido criar sentimento de amizade num time de futebol que tem relações tão competitivas e provisórias, mesmo sendo o Corinthians. Achei até que ele estava se marketeando para ser mais um vitorioso a fazer palestras em workshops corporativos com sua fórmula milagrosa de sucesso: disciplina e amizade. Mas a vitória lhe dava crédito e dormi com a lição de casa de entender sua fórmula de sucesso. Tomei nota e esqueci do assunto.

Hoje, quando sentei para pensar e escrever sobre amizade, de repente a imagem do Tite com sua fala me veio à mente. Ao lado do Tite apareceu também a figura do Luiz Seabra, meu amigo e um dos fundadores da Natura, que por muitos anos me falava: “Precisamos criar um clima de amizade na empresa.” Eu nunca acreditei que isso era possível tal a competição e cinismo que reinam em ambientes corporativos. Mas o Luiz, assim como o Tite, tinha crédito.

Resolvi investir na possibilidade de existir amizades alem daquelas que a gente tem como dadas pela vida, aquelas em que a gente “mijou cruzado”.

O que define amigo e amizade, além do óbvio e necessário afeto? Busquei nas minhas experiências pessoais onde tive um forte sentimento de amizade mesmo que fosse muito efêmero, mesmo que não tivesse a intimidade de muitas alegrias e perrengues compartilhados ao longo de uma vida e descobri: senso de destino compartilhado!

Não por acaso, uma dessas experiências foi no começo do ano quando, a convite de meu corinthianíssimo primo Lidu, fui pela primeira vez ao Parque S.Jorge. Do estacionamento, passando por todas as portarias fui tratado como se fosse um frequentador assíduo do clube tal o jeito familiar e cúmplice com que todos se relacionavam comigo. Não senti em nenhum momento que eram funcionários controlando a entrada e saída de sócios. Claro que havia hierarquia e burocracia mas acima de tudo, éramos todos corinthianos. Tínhamos algo em comum que aproximava e criava um vínculo imediato entre as pessoas.

Comecei a entender o que o Tite e o Luiz queriam dizer com amizade num ambiente corporativo.

Lembrei de clientes em que havia de verdade uma causa, um propósito compartilhado. Havia conflitos de interesse, claro, mas o senso de destino compartilhado criava um vínculo e um apreço que iam além da conveniência de juntar forças para atingir uma meta ou enfrentar um inimigo comum. Havia o sentido de criar uma história, de transformar uma indústria, mudar um hábito, de fazer a sociedade evoluir. Tinha amizade além dos interesses que mantinha a relação boa mesmo em momentos difíceis.

Esse é o segredo. Não é amizade pela amizade que fica muito babaca diante da competição do ambiente. Mas um senso de destino compartilhado que faz nascer um vínculo forte que, temperado com apreço e afeto, vira amizade.

Será que não é isso que está faltando para que se encontrem melhores soluções para nosso destino como sociedade e planeta? Um senso de destino compartilhado que crie amizade entre os corinthianos, são paulinos, palmeirenses e santistas de todo o mundo.

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