Branding, Moda e Mercado de Capitais

O interesse do mercado de capitais na indústria da moda é uma notícia tão auspiciosa quanto o processo de consolidação do setor.

O resultado é tudo de bom: maior eficiência operacional, melhores condições de trabalho e conseqüente maior competitividade da moda brasileira.Isso é tão bom e importante para todos que trabalham nesse mercado que a maior celebridade da mais recente edição do SPFW não eram os estilistas nem as modelos, mas o capital.

Nos corredores do prédio da Bienal os comentários menos positivos eram dirigidos à capacidade da gestão desses grupos criar um portifólio de marcas com nexo, consistência e sinergia.

De fato, esse é um bom desafio e daria muito pano para manga nessa coluna de Branding.Mas o olhar do Branding vê um desafio muito maior e mais complexo do que a arquitetura de portifólio.É o relacionamento entre a lógica do capital, a lógica do empreendedor e a lógica do criador.

São três universos muito diferentes e, na grande maioria das vezes, divergentes. Por isso, quando as três lógicas se harmonizam o resultado é o sucesso consistente e duradouro.

A lógica do criador está ligada à sua vida pessoal. Sua fonte de inspiração/realização é ele mesmo e sua época. O bom criador vive a sua obra. É uma vivência de corpo e alma tão intensa que nem sempre a razão predomina nas suas decisões. É assim que é, para o bem e para o mal: ele é capaz de se destruir em busca de sua realização. Nessa vocação e nessa paixão reside o maior patrimônio de um mercado onde o valor da marca está na sua capacidade de criação e inovação.

A lógica do empreendedor está ligada à empresa. Sua fonte de inspiração/realização é o crescimento saudável do empreendimento O bom empreendedor gosta do desafio da viabilização, por isso ele sente orgulho do que sua empresa é capaz de produzir: produtos, serviços, lucro, satisfação dos outros, outras empresas. Sua maior competência é entender e gerenciar a lógica do criador e do capital. O empreendedor é absolutamente racional em suas decisões para garantir a saúde e a perenidade do negócio. Ele seria capaz de hipotecar sua casa e vender as jóias da família para viabilizar a continuidade do empreendimento.

A lógica do capital está ligada exclusivamente ao seu próprio crescimento.Sua fonte de inspiração/realização são as oportunidades de crescer. A lógica do capital não se apóia na obra nem no empreendimento mas no resultado financeiro que ela é capaz de produzir. Por trás do capital, ao contrário do criador e do empreendedor, não tem gente com vocações e compromissos, mas calculadoras com números comparados conferindo se o capital aqui está dando mais ou menos retorno do que ali. E essa é a virtude da lógica do capital porque sua perspectiva traz a racionalidade e a lucidez necessárias para temperar a lógica do criador e do empreendedor.

A divergência entre a lógica do empreendedor e do criador é clássica.E, de um jeito de outro, essas duas lógicas irmãs sempre se entenderam porque ou dividiam a mesma pessoa, ou o mesmo sangue, ou a mesma cama, ou o mesmo destino.

A novidade dos novos tempos é a possível divergência da lógica do capital.E nesse caso, o setor da moda brasileira é detalhe no cenário do capitalismo financeiro internacional.E aí não sou eu quem diz mas a melhor imprensa de negócios do mundo: a oportunidade de e a pressão por resultados de curto prazo estão fazendo o capitalismo financeiro se descolar da economia real.

Quando isso acontece, a lógica do capital é implacável e, sem o menor vínculo, deixa o criador e o empreendedor a ver navios. Pode conferir nas páginas do Financial Times, do Wall Street Journal, The Economist, Business week ou semelhantes nacionais.

A bandeira do Branding é a criação de valor com garantias de resultados futuros. Por isso, quando no horizonte se anuncia um risco, apesar da boa intenção e da competência das pessoas envolvidas- criadores, empreededores e investidores- é sua obrigação alertar: cuidado para que a lógica do capital, descolada da lógica do criador e do empreendedor, não destrua o valor das marcas.

Vamos sim celebrar os novos tempos da indústria da moda brasileira. Mas não nos iludamos quanto ao tamanho do desafio que vem pela frente.Sejamos otimistas porque otimista é aquele que conhece o risco e se prepara para enfrentá-lo.

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