Educação

Revista Trip

Semana passada, depois de um dia intenso e longo, com reuniões em lugares diferentes e distantes que me obrigaram a cruzar esta cidade poluída e congestionada, ainda tive fôlego para atravessar o centro antigo, cheio de pessoas semidestruídas pelo crack, para assistir aulas sobre nossa época de dois mestres extraordinários: Zygmunt Bauman e Edgar Morin.

A Sala São Paulo estava lotada de pessoas adultas, ilustres, de óculos e cabelos brancos que foram lá para aprender. (Aliás, parabéns e obrigado à Equipe do Fronteiras do Pensamento e seus patrocinadores Natura, CPFL, Braskem). Os mestres falaram da reeducação necessária para enfrentar a transformação pela qual estamos passando.

Bauman falou da necessidade de reaprender o que é democracia para uma sociedade planetária interconectada e interdependente, que é bem diferente da democracia de uma pequena e simples cidade grega do século V AC, e diferente da democracia das nações ricas em conflitos sociais e políticos do século XX. Morin, dando sequência e consequência, exemplificou nossa transformação com a que acontece com a borboleta: a lagarta se autodestrói inteira para surgir a borboleta. Não se trata de uma simples mudança – como de uma lagarta gorda e lenta para uma lagarta ágil e magra-, mas de uma transformação, tipo um óvulo fecundado virar um Einstein, uma Gisele Bündchen ou um Bin Laden.

Faz vinte anos que estudo o fenômeno “lagarta/borboleta”, e quanto mais me aprofundo mais me surpreendo com a riqueza do que podemos aprender para entender nossa jornada como humanos. Por exemplo, a lagarta é a borboleta jovem. Sua principal atividade é comer, acumular massa física para entrar em processo de metamorfose, momento em que ela perde tudo, peso, patas, até o aparelho digestivo, para ganhar leveza, duas asas e uma nova missão: fazer sexo para procriar e garantir o futuro. Enfim, a borboleta é a maturidade da lagarta. Acho bom estudar biologia porque ela dá dicas muito seguras e objetivas sobre a vida como ela é, que nem sempre combina com a vida como ela deve ser segundo alguns filósofos e todas as religiões. A “biologia” me ensina que a nossa sociedade está vivendo o processo de perda, sintoma da transformação. Acumulamos massa física de uma forma muito juvenil, imatura, quase que destruindo totalmente o nosso jardim-planeta. Mas, como programado, a sociedade lagarta tem que amadurecer e virar borboleta. Precisa mudar seu olhar que só vê comida e o momento imediato para uma perspectiva mais abrangente que inclua todo o jardim e o futuro. Mas para isso, temos que passar pela difícil, arriscada e dolorosa reeducação.

Tudo o que estamos vivendo de destruição de riqueza com as crises da economia e com os desequilíbrios sociais e ambientais são oportunidades de nos reeducarmos, mudar nosso olhar e gerenciar a vida de maneira mais madura, bem informada e divertida - afinal a perspectiva de voar, ver o todo e fazer mais sexo é muito animadora, certo?

No dia em que o American Museum of Natural History, de NY, inaugurou seu borboletário eu comprei uma camiseta onde estava escrito: What the caterpillar calls the end, the rest of the world calls butterfly = o que a lagarta chama de fim, o resto do mundo chama de borboleta. Eu concordo: estamos vivendo um fim, o fim da fase jovem da humanidade.

Você consegue imaginar a profundidade da reeducação necessária para ajudar a transformação de uma sociedade que ama ser jovem e acumular riquezas? Pois é, o nosso desafio não é a educação. É a reeducação.

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