Exército de Davis

Revista Trip

Caro Paulo,

Não sei no que vai dar as eleições americanas mas eu já estou comemorando o “efeito Obama” como uma grande vitória dos novos tempos.Comemoro mais a nova dinâmica social que o fato evidencia do que a ideologia propriamente dita.

Porque o efeito Obama mostra a vitória do indivíduo comum sobre a corporação. Você sabe que essa é uma causa querida que eu curto desde que entendi as vantagens que a Sociedade do Conhecimento traz para nossa evolução individual e social. Os números mostram que Obama bate todos os recordes de doação individual com valor menor que U$200. Enquanto escrevo esse texto ele estava recebendo em média um milhão de dólares por dia. E o perfil predominante do doador é jovem e internauta.

Isto é, Obama tem ingredientes que fazem mais sentido para as pessoas comuns conectadas do que para corporações e cidadãos alienados, manipuladores e manipulados respectivamente.

O que Obama tem que despertou em jovens internautas vontade de participar pondo a mão no bolso e links de doação em seus sites pessoais?Meu palpite é que não se trata apenas do conteúdo do seu discurso que podia estar muito bem na boca de outros candidatos.

É a sua presença individual, singular e autônoma que abre um oásis de contemporaneidade no cenário desacreditado dos acordos de bastidor entre as poderosas corporações, políticas ou empresariais, por meio de seus despersonalizados, convenientes e constrangidos representantes.

Comparo a figura autônoma de Obama e seu improvável trânsito pelas classes sociais, etnias e nacionalidades com a figura autônoma e o improvável trânsito social de Lady Di, que foi descrita por seu irmão como uma “very british girl who transcended nationality ...someone with a natural nobility who was classless and who proved that she needed no Royal title ( cargo corporativo) to continue to generate her particular brand of magic” (uma garota muito inglesa que transcendia nacionalidades...alguém com uma nobreza natural com trânsito em todas as classes, que provou que não precisava de um título de nobreza para continuar gerando sua própria marca de magia.)

Obama tem essa brand of magic, típica de quem se apoia na sua própria essência e não na circunstância do momento, por isso despertam admiração e confiança independente de se concordar ou não com elas.

Sempre existiram pessoas assim capazes de mobilizar milhões mas nunca tinha existido a possibilidade desses milhões se manifestarem direta e rapidamente suas opiniões para mudar o curso da história.

Sim, estou falando da e-democracy, da transparência do tempo real e do exército de davids que avançam na direção do nosso futuro para nos salvar da facilmente corruptível democracia representativa.

Adoro essa imagem de “exército de davids”. Aprendi no livro de Glenn Reynolds, “An Army of Davids” onde ele explica como “a tecnologia dá poder às pessoas comuns e derrota a grande mídia, os poderosos governos e outros golias”.

Golias sempre existirão mas serão redefinidos pelos davids em rede.Legal observar o efeito Obama. Mesmo que ele perca, é um sintoma de como funcionará o futuro da história. Que os golias ouçam o alerta estampado na capa da Times: “It’s the voters, stupid!”

Receba o abraço saudoso do amigo-david,

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