Um rolim, só, não faz verão

É público o fato da nossa Thymus ter sido contratada pela TAM para dar apoio à instalação do Branding TAM na sua organização. Por isso, por questões de ética e etiqueta, não vou aproveitar a provocação do amigo Ruy na edição de 29 de janeiro para falar do nosso cliente, mas para falar da relação entre rolins e o branding.

Na verdade, quero falar do nascimento e da evolução de marcas criadas ou geridas por empreendedores e gestores rolins.

O que é um rolim?É uma pessoa inspirada, ambiciosa, competente e com grande capacidade de trabalho, que discorda da maneira como as coisas são feitas em sua época e, se propõe empreender uma inovação que seus contemporâneos reconhecem como uma evolução, um aperfeiçoamento, algo diferente percebido como melhor por alguma razão.

Um rolim pode ser chamado de pioneiro ou líder visionário. Às vezes, de louco. O importante é que todo rolim tem opinião, crenças e aposta nisso.

Como um rolim só não faz verão, ele chama outras pessoas para ajudar a colocar sua proposta de pé. Aos poucos, o rolim e seus companheiros vão criando processos, procedimentos, produtos e serviços.

No começo, tudo depende do rolim porque é ele quem sabe como faz e porque faz. Porém, na medida em que; acertando, errando e aprendendo; sua proposta dá certo, a organização cresce, fica complexa e, como previsto, o rolim vai envelhecendo.

Nesse momento, o rolim se vê numa encruzilhada e uma decisão importante vai definir se de fato ele é um rolim ou não. Ou continua sendo dono-de-empresa, indispensável para o sucesso do empreendimento ou se torna um empresário capaz de compartilhar suas crenças e opiniões a ponto de capacitar a empresa para crescer mais que sua capacidade pessoal de trabalho.

Quando a empresa de um rolim cresce muito e com saúde, é sinal de que ele conseguiu criar uma cultura baseada numa visão de mundo e de negócios que permite seus companheiros trabalharem com autonomia e que atrai outras pessoas que pensam mais ou menos da mesma maneira e por isso se sentem bem naquela cultura.

Segundo os bons estudos, como os do James C.Collins, sobre perenidade de empresas que se tornam ou geram marcas de valor, esse é o segredo do sucesso.Do meu lado, que dedico boa parte de minha vida estudando e apoiando marcas de valor no século XXI, posso afirmar que a perenidade de marcas, em particular daquelas que se apóiam em inovação em mercados muito competitivos, é garantida pelos fundamentos dessa cultura que, ao chegar ao consumidor, despertam admiração e confiança, criando uma relação que vai além do produto ou serviço.

Isto é, as pessoas passam a se relacionar com a marca- um jeito de pensar e fazer- e não apenas com o produto ou serviço.Nesse contexto, podemos entender porque marca é o único ativo que aumenta de valor com o passar do tempo e porque imagem é apenas um dos aspectos do gerenciamento da marca.

Confundir marca com imagem é próprio de uma compreensão superficial da dinâmica de criação de valor nos mercados da Sociedade do Conhecimento.Até algum tempo atrás, marcas eram relacionadas a produtos e eram construídas apenas segundo expectativas e necessidades do consumidor, como rezam os bons manuais de marketing do século XX.

Hoje, segundo o Branding, marcas de valor são construídas sim com o conhecimento do mercado e do comportamento do consumidor mas, principalmente, por uma visão crítica que surpreende o mercado trazendo propostas inovadoras que discordam da maneira como as coisas são feitas, geridas, distribuídas, consumidas e avaliadas.

Segundo o Branding, uma marca de valor, grande e perene, não sobrevive mais da inspiração, ambição, competência e capacidade de trabalho de um rolim, ou de dois, dez ou dez mil. Mas de milhões e milhões de pessoas que interagem como funcionários, acionistas, investidores, consumidores, fornecedores, parceiros, todos produzindo, consumindo, fornecendo, sugerindo, criticando, inovando aquele jeito de fazer porque, de alguma forma, pensam mais ou menos da mesma maneira, compartilham das mesmas visões e opiniões.Quando uma marca foi criada por um verdadeiro rolim, sua capacidade de evoluir, de aprender, de inovar, de enfrentar concorrentes e acidentes de percursos é infinita. A marca consegue sobreviver inclusive a uma má experiência com seu produto ou serviço.

Lembro do depoimento de um consumidor careca usuário do shampoo antiqueda da Natura durante um focus group: “Os poucos fios de cabelo que tenho, eu devo ao Revigonat da Natura!”

Isto é, existe como fundamento da relação do indivíduo com a marca a crença de que a empresa fez tudo o que podia ser feito para resolver o problema mas que dessa vez não foi possível.

Marcas assim sempre têm uma segunda chance porque seus consumidores, assim como todo rolim, sabem que a evolução, desde que inspirada por uma visão, é feita de acertos, erros e aprendizados.

Por isso, repito: “Não há dúvidas de que a imagem sofreu um arranhão. Mas uma marca como a TAM que tem valores fortíssimos, conserta esse arranhão prestando bons serviços no próximo contato com o cliente.”

O tempo dirá.

Thymus integra estratégia da marca e estratégia de negócios de maneira a provocar o maior impacto no ecossistema de negócios.

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